27/02/2015  |  Comportamento, Consumo, Destaques, Reflexões
Quanto vale a sua roupa?

A lógica de comprar uma roupa nova, aquela que combina com você e faz seu coração bater mais forte parece muito simples se você possui o valor suficiente para levá-la pro seu armário, certo? Errado. O senso comum, infelizmente representado em grande maioria por pessoas ligadas ao mundo da moda {com licença poética para as exceções}, levanta uma bandeira que contradiz veementemente a ideia de usar as possibilidades que o mundo fashion oferece para se expressar através da roupa que você escolhe.

Se você é desse mundo, com certeza teve conhecimento da polêmica envolvendo a cantora Anitta no inicio da semana. Para refrescar a memória: A cantora foi ao casamento de Fernanda Souza e Thiaguinho na última terça (24) com um pretinho básico autêntico Versace – só que para Riachuelo – fato que atingiu proporções imensas quando internautas publicaram o valor da peça, R$ 349,90 (ou R$ 79,90 caso ela tenha adquirido a peça com remarcação de preço). Para estas pessoas que reverberaram de uma forma negativa a escolha da cantora, deve parecer surreal uma pessoa com grana com ela usar uma peça com um valor tão justo para ir a uma festa de casamento de um global. Então vamos lá…

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Só para constar, Anitta estava linda e era uma das mais bem vestidas da noite, ostentando entre fendas e decotes do seu (agora famoso) vestido preto, as curvas da sua sensualidade já conhecida por todos e mandou um recado para os recalcados: “Não me visto para mostrar para os outros quanto eu tenho no banco. Visto para me sentir maravilhosa, e é assim que estou me sentindo hoje”, disse em entrevista a um site de celebridades.

Então, qual o problema? O problema é que, para essas pessoas, se vestir bem está diretamente associado a gastar pequenas fortunas, sendo diferente, a produção perde completamente seu valor e a polêmica acontece. E na minha opinião, já que Anitta defende tanto que seu bom gosto independe do valor do look, naturalmente a polêmica seria neutralizada se ela tivesse assumido desde o início a origem do seu vestido que, segundo ela, foi um presente da Riachuelo, marca para a qual a cantora desenvolveu uma coleção. Ela não negou, mas também não disse desde o início que se tratava, então, de um Versace para Riachuelo. Uma infelicidade.

Não estou aqui levantando a questão do valor que as lojas de departamento cobram pelas coleções assinadas por grandes estilistas/marcas – talvez este seja assunto para um outro post! Quero convidar você a avaliar a quão descabida é essa polêmica do vestido da Anitta, em tempos de uma indústria com preços cada vez mais absurdos – sorte a nossa que, paralelo a isso, a oferta cresceu e tornou a moda mais acessível o que significa que podemos encontrar o famoso vestido preto maravilhoso na Riachuelo mais próxima da nossa casa (e o melhor, por menos de R$80 reais)
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{Anitta no casamento de Fernanda e Souza e Thaiguinho. São Paulo, 24/02/2015}

Moral da história: apesar da omissão, Anitta deu uma grande lição de estilo. Chamou atenção, virou notícia, estava linda com um vestido que custou uma bagatela. Provou que para estar bem vestida, diferente do que se pensa, é necessário ter boas escolhas e não necessariamente muito dinheiro na conta. Uma peça cara, de grife tem seu lugar e, mais do que uma compra por status é um investimento que dura a vida inteira. Mas é nossa obrigação, enquanto entusiastas do mundo da moda, sustentar a bandeira do consumo consciente e dissipar uma discussão vazia de pessoas atrasadas que insistem em associar dinheiro a bom gosto (alguém lembra de Lady Kate?!) Para finalizar, uma frase de Gloria Kalil que sintetiza todo meu texto: “Moda é oferta, estilo é escolha!”

Fotos: Reprodução

17/08/2011  |  Reflexões
Virei blogueira, e agora?!
Por Marcele Neves

Por várias vezes eu pensei em escrever esse post e voltei atrás. Primeiro porque teve uma época que esses textos-reflexão eram constantes nos blogs, segundo porque essa não é a proposta do  Sutiã de Bolinha. Só que de uns tempos pra cá, algumas questões começaram a me incomadar bastante. O termo blogueiro (a) atingiu um patamar pejorativo e o que tem tudo para ser uma das ferramenta  mais democráticas da comunicação (os blogs), pode acabar fechando as suas portas profissionais num piscar de olhos. Resolvi compartilhar com vocês algumas reflexões.

Não se trata de um  manual de bons modos para blogueiras – aliás, quem sou eu pra dizer o que aqui o que é certo ou errado (seria muita pretensão né?) – mas esse tempo (mais pecisamente dois anos)  blogando me fizeram observar algumas coisas que, talvez quem esteja de fora não perceba. Vocês já observaram que a cada dia surgem novos blogs né? E isso é bom ou ruim? Na minha opinião é muito bom! A internet é muito grande, quanto mais canais de comunicação existirem, mais eficiente se dará  essa troca de informações tão saudável proposta pelos blogs. O importante a se observar é a qualidade com que essas informações são ‘jogadas ao vento’, porque já sabe né, caiu na rede é peixe!

Ao contrário do que muita gente pensa, ser blogueira da trabalho sim: não basta apenas selecionar meia dúzia de fotos bonitas e lançar no editor de texto do blog. É importante obedecer uma linha de raciocínio, ter uma opinião formada, se preocupar com o conteúdo, caso contrário seu blog será apenas mais um no meio da multidão. A grande diferença entre blogs antigos e blogs atuais (na minha humilde opinião) é a seguinte: antigamente – isso há uns dois ou três anos atrás – ninguém enxergava os blogs como fonte de renda, profissão. Blogar, seguia à risca a idéia de um diário virtual onde era possível compartilhar idéias sobre os mais diversos assuntos. Hoje, as pessoas que criam um blog, tem como objetivo o bônus que ´ser blogueira´ pode proporcionar: presentes, brindes, eventos, descontos, dinheiro e uma infinidade de coisas que a gente vê por aí.

Daí mais um engano: Ser convidada para eventos bacanas ou receber jabás de tirar o fôlego (que eu saiba) não mede a qualidade do teu blog. A equação é muito simples: as empresas já identifcaram que o público que consome blog é potencial consumidor ou seja, elas querem agregadas à sua marca blogs/blogueiras que se encaixem no perfil do seu produto. E daí se a blogueira em questão é chata e antipática?  Se ela “vende”, se ela é daquelas que quando aparece usando um determinado acessório, no outro dia ele some das prateleiras, pode ter certeza que esta será devidamente prestigiada pelas marcas. Mas não se engane, não se ache a pessoa mais importante do universo quando chegar na sua casa uma caixa lotada de cosméticos “pra testar”; a empresa que gentilmente aceita seu convite de “parceria” ganhará no seu blog um espaço gratuito de divulgação. Moleza né?

Comercializar um blog é uma outra questão bem delicada. É claro que é muito legal e gratificante  ver seu trabalho com o blog sendo reconhecido e as empresas acreditando no seu potencial enquanto ‘formadora de opinião’.  Mas e aí? A partir de agora, você só vai citar no seu blog o nome de uma marca se estiver sendo paga (o) pra isso? Meio contraditório, especialmente se você diz no seu perfil que ‘este é um espaço para compartilhar idéias e achados com as leitoras’.  Cuidado! Vender espaço  é (muito) diferente de vender opinião. Essa última, aliás, é seu grande tesouro se você atua no ramo da Comunicação. Lembre-se que credibilidade é muito importante, independente da carreria que você seguir.

Certa vez eu recebi um email pedindo dicas de como fazer um blog bombar, como conseguir parceiros e seguidores… Na hora nao acreditei, pensei que fosse pegadinha, juro. A resposta foi – e continua sendo:  Não existe regra, nao existe receita para esse ’bolo´… Eu sempre acreditei que, para ter sucesso em alguma coisa você precisa, primeiro, fazê-la com amor e dedicação. A partir do momento que você se dedica inteiramente a um projeto e da o melhor de si por ele, consequentemente, os frutos virão sem que você precise correr alucinadamente atrás deles. Caso contrário a sua boa intenção de ser reconhecida vai por água abaixo.. além de fazer uma coisa mecânica, você acaba impondo sua presença nos lugares (eventos)  e nos blogs. Existe coisa mais chata do que o recadinho: “Oi, sou sua seguidora, me segue também?!”. O ideal é deixar as pessoas livres para que elas descubram e, por consequência, apreciem seu trabalho.

Moral da história, para o texto não ficar muito longo… Blog como ferramenta de comunicação de moda (ou de qualquer outro tema) é uma via de mão dupla: É bom pra quem tem o blog, é bom pra quem contrata ele, já que as empresas têm acreditado cada vez mais na eficiência do marketing digital. O cuidado que você deve ter é a consciência que esta colocando seu nome em jogo e precisa se responsabilizar por aquilo que está escrevendo. Quer fazer um blog? Faça! Mas pesquise, estude, leia, só fale daquilo que tem conhecimento, se coloque no seu lugar, entenda seu público alvo, não copie conteúdo alheio e, acima de tudo tenha educação e bom senso. Você pode até ganhar muito dinheiro e ser uma blogueira mega conhecida, mas existem qualidades e princípios que dinheiro nenhum no mundo compra.

Foto: Reprodução